
Com Olhos molhados sigo em frente
Encharco o meu caminho e vivo
Em dias lamacentos me arrasto de lesma
Em outros flutuo e me deixo levar
Saudades vêm em líquidos
Que não param de extravasar a angústia
A vida é o improviso nas águas
Ora revoltas, ora quietas e macias
como o braço da mãe
O futuro é um buraco negro
Um redemoinho de interrogações
Um náufrago esperançoso, porém desesperado
Viver é um modo de molhar-se
Sem entrar no mar
E, mesmo sem o mergulho corajoso,
É fazer parte dele
É navegá-lo emocionado
É querer chegar além, ultrapassá-lo
É molhar-se nessa tempestade
É lubrificar as entranhas
É afundar-se a cada onda
e nela se enrolar